Uma amiga diz que tem coisas que só acontecem comigo. Uma não, aliás, nove entre dez amigas repetem o mantra como se fosse a última das revelações de Maria. Já aconteceu contigo, por exemplo, de vomitarem na sua cara na frente do ex? Ou se levar um susto do motô de caminhão em pleno sinal porque você tem mania de atravessar a rua com o bracinho de cancela? No exame de admissão alguma velhinha doutora já te apalpou os seios nus só por tesão?
Quando o nerd que faz barulhos esquisititos me mandou tirar aquela bermuda enfiada e colocar alguma roupa espacial ou medieval eu pensei: valeime! Não tão diferente de quando desmaiei na lama certo dia (de fazer roda de gente pensando que tava morta), e saí correndo capengando depois q um amigo furtivo grita: “polícia”! Eram bombeiros.
Das duas sapatas que me abordaram numa casa ensebada em Porto chamando para brincar de jogo dos dadinhos, uma era zarolha. Imagine a aflição de ver aqueles olhos te comprimindo no escuro. Run!, Tassine, mais uma vez.
Não sei se é nóia, se é maldade, mas a minha vida tem um efeito i-doser de ser de tempos em tempos. Sabe aquela coisa desconexa, desengonçada, que te dá um tapinha amigo nas costas, e quando você vira, te sorri paraguai e te deixa com cara de bad trip. Até me esbaforir Peter Parkermente perseguindo ônibus e dar com a cara no chão, vizinho empurrando na piscina em festa badalada, fazem parte das minhas estórias meia boca.
Hoje me pergunto se os acontecimentos sérios da minha vida também não foram um engano. Querem me intimidar sem maquiagem. Ainda não acredito que tudo está acontecendo de novo. Queria que a Lei do Eterno Retorno me acompanhasse apenas em coisas boas.
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segunda-feira, 1 de outubro de 2007
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